Vírus Sincicial Respiratório (VSR) – O IMBRÓGLIO EM QUEM VACINAR

O VSR é o principal agente infeccioso viral das doenças respiratórias que cursam com tosse e/ou chiado no peito e/ou desconforto respiratório e febre, curiosamente, nem sempre presente. A tosse geralmente é o sintoma mais frequente, o chiado no peito é o sintoma característico e o desconforto respiratório (a falta…

O VSR é o principal agente infeccioso viral das doenças respiratórias que cursam com tosse e/ou chiado no peito e/ou desconforto respiratório e febre, curiosamente, nem sempre presente.

A tosse geralmente é o sintoma mais frequente, o chiado no peito é o sintoma característico e o desconforto respiratório (a falta de ar) é o sintoma que retrata a gravidade do quadro clínico e que condiciona a internação, de acordo com a concentração de oxigênio em ar ambiente, determinada pela oximetria de pulso. O ideal é manter a saturação de oxigênio acima de 95%.

Esses sintomas, habitualmente, se manifestam nos primeiros dois anos de vida, particularmente, no segundo trimestre de vida e são diagnosticados como bronquiolite.

Segundo casuística norte-americana (Tucson/Arizona), cerca de 35% das crianças estadunidenses apresentam uma crise com esses sintomas e 20, portanto, cerca de 60% dessas crianças, apresentarão uma segunda crise.

O VSR é o principal agente dessas infecções e por não se tratar de um vírus mutante, os anticorpos formados conferem imunidade absoluta e permanente, não havendo, pois, riscos de recorrências, mesmo considerando-se os 4 tipos de VSR, uma vez que os anticorpos formados, tem atividade contra todas as cepas, conforme reza a chamada “comutatividade viral”.

As recorrências, por conseguinte, são devidas aos outros vírus que estão inseridos em painel de pesquisa e que, atualmente, inclui 22 tipos e subtipos de vírus que cursam com potencial de causar distúrbios respiratórios, inclusive em coinfecções, entre os mais conhecidos, destacam-se, além do VSR, o adenovírus do resfriado comum, os emergentes coronavírus da Covid-19 e os mutantes anuais da influenza.

Deve-se considerar ainda que o VSR pode se manifestar sem o típico chiado no peito e sem qualquer desconforto respiratório, mas com sintomas que simulam um resfriado comum ou uma gripe forte, embora os protagonistas destes quadros clínicos sejam respectivamente os adenovírus e a influenza.

De maneira que é “remota” a possibilidade de crianças com idade superior aos 7 anos e muito menos de adultos não terem tido contato com o VSR e de não estarem imune a suas infecções, portanto, é polêmica, particularmente pelo ônus fora do bolso da maioria dos brasileiros, a indicação da vacina contra o VSR e de seus “reforços a cada 2anos” (duração presumível de sua eficácia), indistintamente para pessoas hígidas acima dos 18 anos, inclusive para os idosos acima dos 60 anos com comorbidades, que é o foco principal.

Se tivesse algum dado estatístico, que assinalasse as infecções causadas pelo VSR, envolvendo pessoas hígidas com mais de 18 anos e pacientes com distúrbios respiratórios submetidos à uma catamnese direcionada, sem interesses mercantilistas, talvez, fosse menos indigesto indicar a vacinação, que confere uma efetividade de cerca de 74,4%, indiscriminadamente.

As vacinas disponíveis (anos atuais) são a ABRYSVO (Pfizer) para pessoas acima dos 18 anos e a AREXVY (GSK) exclusivamente para os idosos.

A vacinação, indubitavelmente, é importante, mas desde que seja realizada no final da gestação (entre 32 e 34 semanas), antes de 14 dias do parto, objetivando a transferência dos anticorpos formados, em tempo hábil, para fornecer proteção contra as infecções causadas pelo VSR nos recém-nascidos, durante seus primeiros cinco/ seis meses de vida.

No entanto, o problema consiste em conciliar a ocasião da administração da vacina, que nem sempre coincide com o epílogo do parto, para assegurar a proteção, a ser conferida aos recém-nascidos, durante a sazonalidade dos 5 meses de maior circulação viral, que corresponde a temporada do início do outono até o final do inverno

No nosso país tropical, varia de região para região, mas o ideal é proporcionar uma cobertura nos meses de abril/maio até agosto/ setembro.

Interessante que a proteção conferida aos recém-nascidos, pela transferência dos anticorpos maternos, é de uma temporada equivalente a 5 até 6 meses, enquanto que a da vacina administrada nas pessoas é de aproximadamente 2 anos, o que proporciona uma cobertura durante duas temporadas.

*Vale alertar que o esquema vacinal de proteção (de 74.4%) exige aplicações a cada 2 anos, porém, recomenda-se que a vacina seja administrada à cada gestação, independentemente do espaço entre os partos.

Outro dado que curiosamente choca com o potencial da imunogenicidade conferida, é mesmo que a gestante tenha sido imunizada com a vacina, nos 14 dias que antecedem o parto, o que, supostamente, fornece uma proteção aos recém-nascidos durante a primeira temporada (nos seus primeiros seis meses de vida) e mesmo que coincida com a sazonalidade de maior incidência das infecções virais, o SUS ou os convênios, disponibilizam anticorpos monoclonais humanizados específicos contra os VSR.

Isso, nos prematuros extremos, em que se convencionou como os nascidos com menos de 1.500 gramas (os sobreviventes) ou que nasceram com cardiopatia ou displasia pulmonar, que constituem o grupo de maior risco para sucumbirem às complicações das infecções causadas pelos VSR.

Esses imunológicos, ao contrário das vacinas que induzem a formação de anticorpos, eles contém os próprios anticorpos prontos para serem administrados e daí serem considerados imunizantes passivos, os quais contam com a vantagem de serem administrados à época que se determinar.

Obviamente, deve-se priorizar o início do outono, para proporcionar uma cobertura extensiva durante todo inverno, temporada de cinco meses (de abril/maio, até agosto/setembro), período que torna as infecções mais frequentes.

Atualmente, os dois anticorpos monoclonais específicos (AMHE) disponíveis contra os VSR, são os derivados da Palivizumabe (Synagis da AstraZeneca) e os derivados da Nirsevimabe (Beyfortus da Sanofi Medley).

São de aplicação intramuscular: de preferência no sartório (músculo antêro-lateral da coxa) para evitar lesão no nervo ciático.

Os derivados da Palivizumabe (Synagis da AstraZeneca), com apresentação em caixas com 5 frascos-ampola, são os utilizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e disponibilizados nos casos já especificados e o esquema de administração pode envolver uma série de até 5 injeções, durante o período da sazonalidade, “cada qual aplicada mensalmente”.

Recém-nascidos em junho, por exemplo, à critério dos especialistas do SUS, podem receber 3 ou 4 doses, os nascidos em agosto: uma ou duas doses, já os nascidos em abril/maio, o ideal é que recebam as 5 doses injetáveis, à fim de dar uma cobertura à toda temporada dos 5 meses de maior circulação viral e riscos de contrair as infecções. 

Já os derivados da Nirsevimabe (Beyfortus da Sanofi Medley), como seu efeito tem uma duração de 5 meses, o esquema de aplicação é realizado com apenas uma aplicação no início da temporada anualmente.

O problema é que esse imunológico, destinado principalmente aos lactentes que não estão inseridos no protocolo de atendimento pelo SUS, somente está disponível em clínicas particulares e a um custo exorbitante, para os padrões da grande maioria dos brasileiros e recomenda-se essa prática por, pelo menos, duas temporadas.

Em idade avançada, os riscos de infecção, causada pelos VSR, são irrisórios, de maneira que a aplicação dos AMHE, “já a partir dos 5 anos”,não se faz eminentemente necessária, assim como a da vacina “na população acima dos 18 anos de idade”.

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