A Clínica Infantil Indianópolis – PROVACIN participou do programa Momento Medicina, com uma conversa aprofundada sobre dois temas que preocupam muitos pais: o Bebê Chiador e as alergias infantis. Assista ao vídeo completo e confira a transcrição com todos os detalhes abordados pelos nossos especialistas.
Bebê Chiador
As crianças com até 2 anos de idade, consideradas de colo, são chamadas de bebês ou lactentes, devido sua alimentação ser predominantemente láctea. Bebê Chiador, no senso lato das palavras, significa criança com até 2 anos com chiado no peito.
Quais os principais sintomas?
O chiado no peito não cursa isoladamente, geralmente se apresenta associado com acessos de tosse, desconforto respiratório e eventualmente com febre e, daí, os quadros clínicos do BB Chiador serem referenciados tecnicamente com Síndrome (conjunto desses sintomas que se apresentam com “intensidades variáveis”) do Lactente (crianças com até 2 anos de idade) Sibilante (chiado no peito).
A tosse, geralmente, é o sintoma mais frequente. O chiado no peito, o sintoma característico e, daí, o nome de chiador (BB chiador) e a falta de ar caracteriza a gravidade do quadro clínico e é o que, geralmente, indica a internação, às vezes, até em regime de cuidados intensivos (UTI), de acordo com a saturação de oxigênio em ar ambiente baixa, determinada pelo oxímetro de pulso. O ideal é manter a oxigenação em 95.
Quais são as principais causas?
A primeira crise com esses sintomas, na maioria das vezes, ocorre nos primeiros 2 anos de idade, principalmente no segundo trimestre de vida e o diagnóstico é o de bronquiolite. Segundo casuística norte-americana (Tucson/Arizona), cerca de 35% dos BB irão apresentar um episódio de bronquiolite.
A causa é eminentemente viral, mas também pode ser de origem bacteriana, geralmente mais como complicação da infecção viral primária. O tratamento é protocolar, com o emprego de fluidificantes associados a broncodilatadores e corticoides inalatórios e sistêmicos, além de antibióticos nos casos de infecção bacteriana.
Segundo o próprio estudo estatístico, estima-se que 20% desses BB irão apresentar uma segunda crise com esses sintomas, portanto, cerca de 60% irão ter uma recorrência da bronquiolite e serão submetidos ao mesmo tratamento protocolar, o que minimiza os riscos de iatrogenia (erro médico).
Convencionou-se, em Guidelines/Highlights, o diagnóstico de BB CHIADOR, quando ocorrer 3 crises/episódios de bronquiolite em dois meses ou nos casos de evolução atípica, incluindo eventuais internações.
Na maioria dos casos, os sintomas são mais pronunciados nos 3 a 5 primeiros dias, tendem a melhorar entre 5 e 7 dias e curar após 10/12, no máximo 15 dias, com reservas em se tratando de lactentes que nasceram prematuros, especialmente com problemas respiratórios ou cardíacos, que não foram amamentados com leite materno exclusivo e que ingressaram precocemente em berçário.
As infecções de etiologia viral, em geral, cursam para a cura transcorridos 5/7 dias de evolução e as bronquiolites não fogem muito à regra. São 22 os agentes infecciosos inseridos em teste para pesquisa protocolar de vírus respiratórios com potencial em causar bronquiolite, entre os quais o mais frequente é o VSR (vírus sincicial respiratório), mas também incluem a influenza (cepa 2009), vírus da gripe, o adenovírus do resfriado comum e os 4 tipos de coronavírus.
Embora esse teste tenha sido submetido a alterações na metodologia de pesquisa implantada desde 07/12/2017, o estudo não inclui vírus que sofrem mutações, mas que podem ser identificados em testes de pesquisas isoladas, a exemplo da influenza que sofre mutações anuais e dos coronavírus emergentes, pós Covid-19, que sofrem mutações ainda imprevisíveis.
As infecções virais são mais frequentes de se pronunciarem na sazonalidade correspondente ao início do outono até o final do inverno. No nosso país tropical, oscila dependendo das regiões, mas, na maioria dos estados, vai de abril até agosto, uma temporada de aproximadamente 5 meses que tornam as infecções respiratórias mais frequentes. Segundo casuísticas recentes (GloboNews de 06/12/2025), nesse ano constatou-se 75.000 casos de bronquiolite e 40.000 casos de broncopneumonia.
Em termos preventivos, partindo da premissa de o VSR ser o principal agente infeccioso viral causador desses quadros, aconselha-se realizar a vacina do VSR no final da gravidez, já a partir de 32 semanas, porém antes de 14 dias do parto, para que os anticorpos formados sejam transferidos aos recém-nascidos, em tempo hábil, para fornecer uma proteção durante seus primeiros 5 a 6 meses de vida. Entretanto, a vacina está indicada para gestantes com mais de 18 anos de idade.
O estado do Rio de Janeiro saiu na frente ao lançar a campanha de vacinação em dezembro, visando uma proteção na temporada de janeiro até maio/junho, que não é a ideal. Caso contrário, considerar a aplicação do imunobiológico (anticorpo monoclonal humanizado específico contra o VSR) — Nirsevimabe (Beyfortus / Sanofi Aventis), o qual fornece uma proteção de aproximadamente 74,4%, durante cerca de 5 meses. Consequentemente, o ideal seria administrá-lo no início de abril, para proporcionar uma cobertura até agosto, que corresponde à temporada de maior incidência das infecções virais.
Como é feito o tratamento do BB Chiador?
O diagnóstico de BB chiador soa agradável aos ouvidos, entretanto retrata os casos de manuseio terapêutico mais difícil e cujas recorrências são dadas praticamente como certas em idade mais avançada, a ponto de considerar os BB chiadores (a maioria) como sendo os futuros asmáticos, particularmente quando há antecedentes familiares próximos com alguma manifestação alérgica.
O tratamento das agudizações/exacerbações da bronquiolite, conforme ressaltado, para apagar o fogo, é protocolar e de competência dos pediatras, por vezes em serviços de pronto atendimento. No entanto, para evitar as recorrências (novos incêndios), a abordagem diagnóstica e terapêutica é complexa.
Frente ao painel de vírus que podem causar bronquiolite, pode-se até relevar algumas recorrências, contudo não as evoluções que fogem muito às perspectivas evolutivas da maioria das infecções virais, salvo, conforme já enfatizado, em lactentes com maior suscetibilidade.
Nesses casos, a abordagem diagnóstica envolve a pesquisa de refluxo gastroesofágico e da alergia aos inalantes (poeira domiciliar, ácaros, fungos) com suas implicações sobre as vias aéreas superiores (rinofaringe) e da APLV (Alergia às Proteínas do Leite de Vaca), considerando-se ainda a imunidade debilitada própria (inerente) da idade.
Portanto, o profissional que for abraçar o caso, em termos preventivos (para evitar as manifestações mais graves e minimizar a frequência das recidivas), deve ter conhecimento multiprofissional nas especialidades de pneumologia, mas também de gastroenterologia e nutrologia, de alergia e imunologia, de dermatologia e de otorrinolaringologia clínica. Já há mais de 20 anos, existem clínicas com atenção voltada ao atendimento multidisciplinar do BB Chiador e a nossa é uma delas.
Driblando as Alergias
Se você identifica e afasta o que está causando a reação alérgica, então, ainda que se pesem os eventuais escapes, você fica assintomático. Isso, em termos práticos, é viável, com as devidas ressalvas, nas alergias alimentares, medicamentosas e nas dermatites de contato causadas pelo uso de sabonetes, xampus, cremes, talcos, perfumes, assim como através de utensílios elaborados com metais não nobres (brincos, anéis, correntes, pulseiras) e de borracha/látex, tais como: bicos de mamadeira, chupetas, sandálias, luvas.
No entanto, muitas vezes não há como se livrar totalmente do agressor (do vilão), em se tratando da reação da picada de insetos (estrófulo), e haja anti-histamínicos, pomadas e cremes.
Já com relação às alergias respiratórias, o exame de sangue referenciado como Immunocap (RAST moderno) ou o Prick Test (teste de escarificação na pele com um pool de alérgenos) é de grande valia terapêutica e prognóstica. Os agentes alergênicos (poeira/ácaros, fungos, pólens, pelos de animais domésticos), uma vez detectados, permitem administrar um imunizante específico (vacina) e, de acordo com a graduação (classificação) da alergia, estabelecer, de forma menos aleatória, uma previsão da duração (término) do tratamento e as perspectivas evolutivas quanto ao início da ação.
Assim, segundo algumas recomendações em Guidelines/Highlights, nas alergias consideradas leves, impõe-se um tratamento com duração de aproximadamente 12 meses, embora transcorridos cerca de 3 meses da administração com a vacina, já dê para antever a resposta final. Nas alergias moderadas, as expectativas com relação à duração dos tratamentos e do início de uma ação consistente/robusta do imunizante são, respectivamente, de 2 anos/6 meses e, nas alergias consideradas altas/muito altas: de 3 anos/12 meses.
Um tempo até que razoável em se tratando da asma, que objetiva evitar as recorrências frequentes e próximas das crises e, sobretudo, as manifestações mais graves que condicionam as internações, inclusive em regime de cuidados intensivos (UTIs) — e sem comparação com o diabetes, com o hipotireoidismo, com o tratamento de certas doenças reumáticas, entre outras, que são contínuos e de prognósticos bem reservados.
Entretanto, como é instintivo querer se livrar dos problemas o mais rápido possível, esse tempo deixa a desejar por questões de foro íntimo e porque a eficácia plena do tratamento está atrelada a uma dinâmica de administração nada fácil de se levar a termo, sem escapes. Uma logística que limita as atividades de sociabilidade e recreativas, no sentido de evitar pernoites fora de casa, de participar de viagens e de excursões.
Um problema cuja solução, sem dúvidas, tem sua cota de sacrifício e maiores dificuldades nos casos de guarda compartilhada, quando se soma a carga emocional inerente dessas situações aos escapes que tendem a ser mais frequentes, criando-se um ambiente de convívio familiar hostil.
Enfim, existe uma somatória de fatores que podem fazer com que o tratamento seja interrompido antes de seu término e essa iniciativa, geralmente, ocorre logo após a estabilidade do quadro clínico, o que ocorre transcorridos 3 até 6 meses de iniciado o tratamento — tempo previsto para que a vacina assegure um efeito consistente, porém não definitivo, uma vez que o tratamento não foi concluído conforme previsto.
Uma somatória de fatores que induzem ao questionamento de a alergia ter ou não ter cura — e a resposta é: para alguns, ela pode ficar quiescente indefinidamente.
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