A imunidade (formação de anticorpos) pode se processar com a vacinação, sendo referenciada como passiva ou após contato com o doente ou com uma pessoa que albergue o agente infeccioso, particularmente os vírus respiratórios, mas também as bactérias, em especial a Bordetella pertussis e parapertussis, causadoras da coqueluche (tosse cumprida) e da paracoqueluche e da Neisseria meningitides responsável pela temível meningite meningocócica, entretanto, sem apresentar os sintomas clássicos (aparentes) da doença infecciosa, caso dos chamados portadores ou hospedeiros assintomáticos e é o que caracteriza a imunidade ativa.
A imunidade ativa, fornece proteção absoluta (100%) e permanente, isso, quando a infecção é causada por um único agente infeccioso não mutante, a exemplo dos vírus do sarampo, da caxumba, rubéola, varicela, da hepatite do tipo A e do tipo B.
Já na imunidade passiva, a proteção é significativa, porém, não absoluta e dependendo da efetividade da vacina pode exigir dose(s) de reforço.
Os anticorpos formados com a administração da vacina BCG (preventiva da tuberculose), assim como a do tétano e a da febre amarela, permanecem ativos por cerca de 10 anos e, daí, as doses de reforço findo esse período.
Já com relação a vacina da gripe, contra a influenza, devido ser um vírus com mutação prevista, é praxe sua aplicação anual de preferência nos meses correspondentes à sazonalidade de maior circulação viral.
Quanto a vacinação contra os emergentes coronavírus da Covid-19/Sars-Cov-2, como sua velocidade de mutação ainda, anos 2025, não foi determinada com exatidão, as doses de reforço, para assegurar uma efetividade plena e duradoura contra as novas cepas que ainda emergem de forma imprevisível, permanecem indefinidas.
Interessante o fato de que muitos, até por questões de foro íntimo, inclusive os que integravam o grupo de alto risco, não se submeteram a vacinação preventiva da Covid-19 e, embora pudessem ter albergado o vírus, não sucumbiram à doença e o mesmo se observou com alguns portadores de HIV e dos moradores de rua.
Igualmente despertou curiosidade o fato de muitas das crianças, com certas restrições às com comorbidades imunossupressoras, no particular as com asma, terem sido bem menos atingidas, ao menos no sentido de internações.
Coincidências que fizeram com que se descortinasse a polêmica teoria da transferência de material genético entre os agentes infecciosos, principalmente entre os vírus, referenciadas, em Guidelines/Highligts, como comutatividade viral, transdução bacteriana e transmutação entre vírus e bactéria.
Teoria que se aventa a possibilidade de os anticorpos formados após uma infecção ou com a administração de uma determinada vacina, permanecerem com atividade extensiva, ainda que relativa e decrescente, contra outros microrganismos, o que corresponde à imunidade cruzada (reação).
Trocando em miúdos: conjectura-se a possibilidade dos anticorpos produzidos com a vacina preventiva do sarampo, por exemplo, proporcionarem proteção contra outros vírus, da mesma forma que os anticorpos formados após uma infecção causada por um dos VSR, terem uma ação abrangendo todos os 4 tipos existentes, inclusive contra alguns outros vírus respiratórios e assim vai.
Pois então, com relação à Covid-19, muito provavelmente os anticorpos formados quer via ativa ou passiva, felizmente, são de eficácia contra as futuras cepas que ainda possam advir.
Há de se considerar, ainda, a imunidade adquirida, por transferência (doação) dos anticorpos maternos aos recém-nascidos durante a gravidez, através da placenta (via transplacentária), os quais permanecem com atividade decrescente por um determinado tempo, quando, então, impõem-se a imunização passiva complementar (a vacinação).
A vacina contra o vírus do sarampo, por exemplo, está indicada após os 9 meses de idade.
No entanto, como pairam dúvidas no sentido de os anticorpos que foram transferidos durante a gravidez estarem, mesmo após esse período, com alguma atividade, o que pode comprometer a eficácia da vacina (os anticorpos maternos transferidos aos recém-nascidos competem com os vírus da vacina), é norma aplicar uma dose de reforço, a partir de um ano de idade, com a vacina tetra viral que associa os vírus do sarampo com os da caxumba, rubéola e da varicela.
Na realidade, partindo da premissa que nenhuma vacina confere proteção absoluta, as doses de reforço seguem as determinações das campanhas de imunização nacional, que se fundamenta nas eventuais recrudescências das doenças.
Contudo, causa estranheza que os anticorpos maternos, principalmente quando adquiridos por via ativa, por meio da doença e uma vez transferidos aos recém-nascidos, não forneçam a mesma proteção, a imunidade “ipsis litteris” aos da mãe ou, ao menos, uma efetividade mais robusta.
Fica no ar: o porquê da imunogenicidade conferida pela vacina contra o VSR administrada durante a gravidez (ao menos antes dos 14 dias que antecedem o parto), fornece uma proteção de poucos meses (aproximadamente 5 meses) nos recém-natos e até cerca de 2 anos nas gestantes.
Afora essas formas convencionais à despeito da imunogenicidade (na formação e efetividade dos anticorpos) de entendimento que deixam a desejar, já há algum tempo, vem emergindo com perspectivas promissoras a imunidade fundamentada na transferência (doação) de anticorpos monoclonais humanizados (AMH), produzidos sinteticamente através da biologia molecular (engenharia genética), para serem administrados prontos através de medicamentos imunobiológicos, cada qual com uma determinada especificidade (AMHE), os quais são a esperança de muitos pacientes, no sentido de proporcionarem uma melhor condição de vida, entretanto, além do custo extrapolar a razoabilidade, em alguns aspectos as perspectivas evolutivas nem sempre correspondem e as experiências clínicas, até o momento (final de 2025), não incluem a população com idade inferior aos 12 anos.
Na realidade, alguns destes produtos, contendo anticorpos monoclonais humanizados específicos, já são utilizados em alguns países, há mais de 30 anos e têm patente liberada para a fabricação de biossimilares desde 2015.
Os anticorpos monoclonais podem ser obtidos utilizando-se a técnica da biologia molecular (engenharia genética) em camundongos transgênicos ou através de proteínas extraídas de um único clone (monoclonal) de linfócitos B, que são os leucócitos- as células plasmáticas- maiores responsáveis pela produção de nossos anticorpos e daí a designação de humanizados – “anticorpos monoclonais humanizados”, destinados a algumas condições clínicas, principalmente de caráter autoimune e, daí, a referência de específicos (AMHE).
Com relação ao termo transgênico: diz-se do animal ou do vegetal que contém material genético extraído, por meio da técnica da engenharia genética, de outra(s) espécie(s).
Já os anticorpos monoclonais “humanizados” são proteínas sintéticas, extraídas laboratorialmente de células plasmáticas oriundas da medula óssea, portanto, que guardam as mesmas propriedades imunogênicas de nossos anticorpos e lhes conferem características de imunoglobulina relacionada, pois, com a imunidade natural.
Trata-se de uma transdução, ou seja, da transferência de fragmentos genéticos de uma célula para outra.
No caso: de proteínas linfocitárias específicas para proporcionarem uma melhor qualidade de vida aos pacientes com determinados tipos de câncer gástrico e de mama e de algumas doenças inflamatórias crônicas autoimunes, particularmente na esfera da reumatologia e da dermatologia, assim como para prevenir ou ao menos evitar as manifestações mais graves das broncopneumopatias causadas pelos VSR (vírus sincicial respiratório), particularmente nos lactentes nascidos prematuros.
Sem dúvidas, os vírus são os responsáveis pela maioria das infecções do trato respiratório, pois a transmissão ocorre através de gotículas de saliva ao falar, espirrar ou tossir, mas também por meio de contato com objetos, haja vista que os vírus permanecem viáveis, com potencial de contágio, por horas em superfícies.
Pois então, é possível sua transmissão ao colocar as mãos nestes materiais e a seguir levar as mãos na boca ou nos olhos.
Entre os que ocupam um protagonismo, desconsiderando os coronavírus emergentes da Covid-19/ Sars-Cov-2, destacam-se a influenza, vírus mutante da gripe, o adenovírus responsável pelo resfriado comum e os 4 tipos de VSR (Vírus Sincicial Respiratório), os quais, segundo casuísticas recentes (Band News em 12/09/2025), respondem por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias causadas nos primeiros 2 anos de vida (nos lactentes).
Vale ressaltar queas bronquiolites acometem principalmente os lactentes, particularmente nos primeiros 6 meses de vida, em especial no primeiro trimestre, mas também podem se manifestar em outras faixas etárias, transvestidas com o diagnóstico de bronquite ou de broncoespasmo.
As manifestações mais graves, assim como as evoluções mais prolongadas tendem a ser mais frequentes nos lactentes mais jovens, em especial nos nascidos prematuros e que foram assistidos por ventilação mecânica, sobretudo, os que não foram amamentados com leite materno exclusivo, ao menos, nos primeiros 6 meses de vida e que ingressaram precocemente em berçários e, no particular, os portadores de comorbidade, mais precisamente, “nessa faixa etária”, em se tratando dos refluxos gastroesofágicos e da APLV (Alergia às Proteínas do Leite de Vaca).
Sem dúvidas, os vírus são os principais agentes responsáveis por esses quadros e o VSR elenca o protagonismo da listagem,
Contudo, o protagonismo midiático do VSR, parece ser um tanto pretensioso, haja vista que o teste do painel ampliado, segundo alteração de metodologia a partir de 07/12/2017, inclui a pesquisa de outros vírus, como a Influenza (A, AH1N1 Cepa 2009 e tipo B) da gripe, o Adenovírus do resfriado comum, os Enterovírus (Echovírus, Coxsackie), os quatro subtipos de Coronavírus (antes dos emergentes da Covid-19), o Rhinovírus, o Parainfluenza tipos 1, 2, 3 e 4, o Metapneumovírus A/B, além do Bocavírus, do Parecovírus e do Mycoplasma pneumoniae.
O painel “ampliado” de vírus respiratórios inserido em protocolo de pesquisa é de grande valia diagnóstica no sentido de dar sustentação aos tratamentos, evitando o uso indiscriminado de antibióticos e poderia dimensionar melhor o protagonismo do VSR, em termos comparativos entre os demais agentes causadores das broncopneumopatias, inclusive no que tange às manifestações mais graves.
Entretanto, o ponto crucial é que, além da pesquisa ser solicitada raramente em pacientes com sintomatologia leve e muito menos após os 2 anos de idade, a grande maioria dos planos de saúde disponibiliza apenas a pesquisa do VSR, a da influenza e a do emergente coronavírus, o que pode contribuir para superestimar o protagonismo e paralelamente as manifestações mais graves atribuídas aos VSR.
Com relação à vacina contra o VSR, convém ressaltar que quando administrada antes dos 14 dias que antecedem o parto, ela induz a formação de anticorpos, os quais são transferidos aos recém-nascidos e fornecem uma proteção durante os 5- 6 primeiros meses de vida dos lactentes, que corresponde a faixa etária de maior risco para contrair as bronquiolites. No entanto, a vacina está indicada somente para gestantes com mais de 18 anos.
Já os imunobiológicos contendo anticorpos monoclonais humanizados específicos contra o VSR, como não induzem a formação de anticorpos, eles não são considerados vacinas e a imunidade conferida, consequentemente, não pode ser chancelada como passiva.
Trata-se de uma doação de anticorpo monoclonal humanizado específico contra os VSR, administrado por medicamento imunobiológico após o nascimento e se é passível alguma comparação, então, que seja nos moldes da imunidade adquirida pelos recém-nascido, através da transferência dos anticorpos maternos diversificados “durante a gravidez”
Ainda em deferência aos AMHE contra o VSR, assim como não são considerados vacinas, eles, também, não podem ser rotulados como antivirais, que combatem as infecções, a exemplo dos retrovirais e do oseltamivir (Tamiflu da Roche), quando administrado nas primeiras 48 horas do surgimento dos sintomas da influenza e do aciclovir, cujo espectro de ação abrange o Herpes simples tipo 1 e 2 e o vírus de Epstein Barr (causador da mononucleose) e também é empregado na prevenção da infecção pelo citomegalovírus em transplantados.
Tampouco possuem a biossimilaridade do vermífugo derivado da nitazoxanida (annita), que tem ação direcionada aos principais vírus causadores de quadros diarreicos, mais especificamente contra os rotavírus (sem especificar quais dos cinco tipos) e contra o norovírus que, em 2024, abalou a cidade de Guarujá (SP) e que, curiosamente, ganhou os holofotes midiáticos durante a pandemia da Covid-19/ Sars-Cov-2 , mesmo não tendo eficácia comprovada contra os emergentes coronavírus, causando polêmica até à nível de judicialização.
*Quanto à Ribavirina ou tribovirina: a forma aerossol foi usada no passado bem distante para tratar doenças relacionadas ao VSR, entretanto, as experiências clínicas foram bem tímidas. Atualmente, tem indicação para a hepatite C em combinação com interferon e para a cinomose canina.
Enfim, no que compete principalmente aos vírus e medidas de combate, existem muitos ditos seguidos por não ditos e esses produtos imunológicos, talvez, por carecerem de experiências clínicas específicas mais aprofundadas, não fogem muito à regra, entretanto, valendo ser repetitivo, não deixam de ser a esperança para muitos pacientes com doenças inflamatórias crônicas idiopáticas, rotuladas autoimunes, como artrite reumatoide grave e progressiva, espondilite anquilosante, psoríase e até em determinados tipos de câncer gástrico e de mama.
No âmbito da gastroenterologia, para os tratamentos da Doença de Crohn e da retocolite ulcerosa e, na pediatria, como “preventivo temporário”, ao menos, das manifestações mais graves das bronquiolites, bronquites e broncopneumonias, causadas pelo VSR (vírus Sincicial Respiratório).
Entretanto, vale enfatizar que as doenças do trato respiratório de etiologia infecciosa, no particular as bronquiolites, elas incidem predominantemente durante os primeiros 2 anos de idade, são mais frequentes no primeiro semestre de vida, sobretudo no primeiro trimestre e conferem imunidade permanente.
Os anticorpos, até então, formados, conferem imunidade ativa, ou seja, permanecem atuantes permanentemente, inclusive, considerando-se a imunidade (reação) cruzada, contra cepas de outras linhagens, o que torna praticamente nula a possibilidade de reinfecção em se considerando os 4 tipos de Vírus Sincicial Respiratório e os demais vírus respiratórios inseridos no painel de pesquisa, exceto, conforme já ressaltado, em se tratando de vírus mutantes, como o coronavírus e a influenza, cuja prevenção exige a vacinação periódica, para reforçar a imunidade via passiva.
Obviamente que as infecções causadas por vírus, apesar de serem mais frequentes nos primeiros dois anos e ao iniciar a escolaridade, elas podem eclodir em idade mais avançada e as causadas pelo VSR, embora seja excepcional, não fogem às regras, inclusive podem se manifestar com sintomas frustos, simulando um resfriado comum ou uma gripe forte, sem o característico chiado no peito ou mesmo sem evidências clínicas (caso dos hospedeiros ou portadores assintomáticos), o que torna pouco provável, para não radicalizar, as pessoas não terem tido contato com o famigerado VSR e CIA e de não terem desenvolvido anticorpos e consequentemente de estarem imunes a essas infecções.
Contudo, partindo da premissa que o VSR pode realmente ter poupado algumas pessoas e como não há meios laboratoriais de aferir a presença de anticorpos formados, como nos modus operandi da Covid-19/Sars-Cov-2, com a determinação da sorologia (imunoglobulinas- IgG: reagente e IgM: não reagente), transcorridos 8 até 10 dias do surgimento dos sintomas, suscitam dúvidas em vacinar as pessoas com mais de 18 anos e os idosos, particularmente portadores de comorbidades, público alvo da imunização.
Já durante a gravidez, ainda que se pese a polêmica imunogenicidade materno-fetal adquirida, não pairam dúvidas quanto à vacinação, mas desde que realizada pelo menos nos 14 dias que antecedem o parto, tempo estimado para que os anticorpos sejam transferidos com plena atividade aos recém-nascidos.
AS POLÊMICAS ENVOLVENDO A VACINAÇÃO CONTRA O VSR
As vacinas VSR disponibilizadas, até o momento (2025), destinam-se, com todos os senões, às pessoas com mais de 18 anos especialmente portadoras de comorbidades e para gestantes também com idade superior aos 18 anos.
Podem ser administradas em dose única e com outras vacinas recomendadas para a faixa etária.
No entanto, não incluem a população infantil e adolescente mais jovem e com relação às gestantes, recomenda-se a vacinação entre as 24 e 32 semanas de gestação, com recomendação inicial entre 32 a 36 semanas.
*Importante que a vacina seja aplicada antes de, pelo menos, 14 dias do parto, à fim de que os anticorpos formados, sejam transferidos em plenitude aos recém-nascidos e assegurem uma proteção consistente na prevenção das bronquiolites durante os seus primeiros seis meses de vida, que é a idade de maior risco para contrair as infecções causadas pelos vírus respiratórios, inclusive pelo famigerado VSR.
Caso contrário, deve-se considerar a administração de anticorpos monoclonais humanizados específicos (AMHE) contra os VSR, via SUS ou através dos Planos de Saúde, nos bebês nascidos com prematuridade extrema ou de alto risco.
As duas vacinas existentes são a AREXVY/ GSK (subgrupo B): para idosos e a ABRYSVO/Pfizer (A e B recombinantes): para pessoas com idade acima dos 18 anos, inclusive para gestantes e, daí, estar disponibilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde), para ser aplicada, conforme já descrito, entre as 24 e 32 semanas de gestação, com recomendação inicial entre 32 a 36 semanas, à fim de assegurar uma proteção adequada aos bebês durante seus primeiros 6 meses de idade, via imunização passiva, entre aspas, haja vista que não se trata de formação de anticorpos, mas, sim, da transferência materno-fetal, então, não querendo polemizar: via passiva indireta.
Ambas vacinas são inativadas, portanto, ACADEMICAMENTE, sem capacidade de provocar as doenças à que destinam combater, entretanto, não estão isentas de efeitos colaterais, entre os quais, os mais comuns são dolorimento, vermelhidão e/ou edema no local da aplicação.
Pode eventualmente ocorrer febre, mialgia e cefaleia nos primeiros três dias da aplicação. Qualquer reação adversa que persistir além de três dias, deve ser investigada.
Até o momento, não foram identificadas reações adversas, nos recém-nascidos de mães vacinadas.
Embora rara e INDO NA CONTRAMÃO DO QUE SE PRECONIZA À DESPEITO DAS VACINAS INATIVADAS, foi identificada possível associação da vacina VSR com um processo inflamatório de várias terminações nervosas, referenciado como polirradiculoneurite, mais conhecida como Síndrome de Guillain-Barré e que cursa com riscos de insuficiência respiratória grave, por comprometimento da inervação do músculo diafragmático: músculo côncavo-convexo que separa a cavidade toráxica da abdominal, o qual é atravessado pelo esôfago, aorta, veia cava inferior e nervos e que intervém ativamente na respiração.
Ocorrência que não deixa de ser um alerta para ponderar a aplicação da vacina em pessoas com idade superior aos 18 anos, particularmente portadoras de comorbidades.
O imbróglio:
A formação de anticorpos pode se processar via transplacentária através da doação (transferência) de anticorpos materno-fetal, durante a gravidez e por meio da vacinação (por via passiva) ou após determinadas doenças (por via ativa), quando causadas por um agente infeccioso único não mutante.
Já a vacinação visa senão a erradicação, haja vista que não confere imunidade absoluta, então, evitar as manifestações mais graves de certas infecções, a exemplo das causadas pelos vírus do sarampo, caxumba, rubéola e da varicela.
As vacinas são administradas logo nos primeiros meses de vida e o esquema de imunização passiva se completa antes dos dois anos de idade e em se considerando ainda o aporte dos reforços, os riscos de contrair as doenças, na idade adulta, é praticamente irrisório. Tanto que as eventuais doses de reforço não são compulsórias a esse público.
Com relação a imunidade ativa, é excepcional apontar crianças que, nos seus primeiros anos, não tiveram contato com alguns dos vírus respiratório, principalmente com o VSR que é o mais frequente e por não ser um mutante, confere imunidade absoluta e permanente e, daí, ser válido o questionamento da vacinação na população com idade superior aos 18 anos, salvo em se tratando de gestantes, objetivando a proteção dos recém-nascidos durante seus primeiros 6 meses de vida.
OS ANTICORPOS MONOCLONAIS HUMANIZADOS ESPECÍFICOS (AMHE)
Uma designação soberba às bem prováveis futuras armas terapêuticas e cujo mérito “midiático” aflorou, transvestido enganosamente como vacinas, graças à prevenção das infecções respiratórias causadas pelos vírus sincicial respiratório (VSR), principal agente das bronquiolites e pneumonias que acometem em especial os lactentes, particularmente entre os primeiros 3, 6 meses de vida e são a esperança, no sentido de proporcionar uma melhor qualidade de vida, para muitos pacientes com certos tipos de câncer gástrico e de mama e para o tratamento de algumas das doenças inflamatórias crônicas autoimunes refratárias aos tratamentos convencionais, com destaque, entre as mais conhecidas, à artrite reumatoide e do lúpus eritematoso sistêmico, no âmbito da reumatologia/ imunologia e a Doença de Crohn e à Psoríase, como as maiores representantes da gastroenterologia e da dermatologia.
Os AMHE e o VSR
Os AMHE, para prevenção ou, ao menos, para evitar as manifestações mais graves das infecções causadas pelo VSR, são disponibilizados sem ônus aos recém-nascidos com até 28 semanas e 6 dias de gestação, com menos de 1.500 g de peso, ou seja, para os que nasceram com prematuridade extrema (para os sobreviventes), uma vez que a duração da idade gestacional de termo (normal) vai de 37 semanas e 6 dias até 41 semanas e 6 dias (um tempo aproximado de 9 meses solares, 10 meses lunares ou 280 dias), mas inclui, também, os recém-natos de alto risco, ou seja, os que nasceram com cardiopatia ou pneumopatia congênita, independentemente da idade gestacional.
Nesses casos, os AMHE/VSR são disponibilizados compulsoriamente pelos Planos de Saúde (cobertura obrigatória conforme resolução normativa número 624, publicada em 19 de dezembro de 2024) e no SUS (Sistema único de Saúde) após avaliação de um especialista do serviço de saúde público.
O período de maior circulação dos vírus e o do VSR não foge às regras, corresponde à sazonalidade que se estende do início do outono até o final do inverno.
No Brasil, país tropical, vai aproximadamente de abril até agosto e dependo da região de maio/junho até setembro/ outubro, enfim, uma temporada de aproximadamente 5 meses anuais que se contabilizam os maiores riscos para contrair as infecções respiratórias.
As principais presas são os lactentes, mesmo que não nasceram prematuros ou com problemas cardio-respiratórios, em especial, com idade entre os 3 e 6 meses, que não receberam amamentação materna exclusiva e que ingressaram precocemente em berçários e, daí, serem o foco central (o epicentro) da imunização considerada passiva, entre aspas, uma vez que os anticorpos monoclonais humanizados específico não induzem a formação de anticorpos, eles são simplesmente os próprios anticorpos disponibilizados em produtos imunobiológicos para serem administrados prontos e, portanto, não podem ter a chancela de vacina e, consequentemente, a propriedade de proporcionar imunização passiva.
Convém lembrar que os anticorpos maternos formados com a vacina VSR (Abrysvo/Pfizer), quando administrada antes dos 14 dias do parto, são transferidos aos recém-nascidos e fornecem uma proteção durante seus primeiros seis meses de vida, porém, nem sempre coincide com a sazonalidade, para dar a devida cobertura na primeira temporada, em que ocorre a maior incidência das infecções respiratórias e ainda não está disponível para imunizar o público com idade inferior aos 18 anos, inclusive as gestantes.
Pois então, final de 2025, existem dois imunobiológicos específicos (AMHE) contra a glicoproteína do VSR, destinados aos lactentes, para dar cobertura nas duas temporadas de cinco meses anuais, em que são mais relevantes os riscos de infecções respiratórias, principalmente das bronquiolites e cujas recorrências caracterizam a Síndrome do Lactente Sibilante, referenciada popularmente como “BEBÊ CHIADOR”.
A saber: o PALIVIZUMABE/ Synagis da “ABBVI Farmacêutica” e o NIVERSIMABE/ Beifortus da “Sanofi/ Aventis”, ambos imunobiológicos para aplicação IM de preferência no músculo anterolateral da coxa (sartório) e não no glúteo, para não afetar o nervo ciático.
A eficácia (duração da ação) do PALIVIZUMABE é de 30 dias, portanto o esquema terapêutico exige uma aplicação mensal, durante os cinco meses da temporada anual (total de 5 aplicações), enquanto a NIVERSIMABE é uma opção mais recente e tem a vantagem de com uma única aplicação por temporada, promover uma efetividade de aproximadamente 74.4%.
Considera-se ainda a discrepância dos custos estimados entre o da caixa de Palivizumabe (Synagis), integrado ao SUS, que oscila em torno de R$ 8.000.00 e o valor da Niversumabe (Beifortus) que é de aproximadamente R$ 3.600.00, no momento, disponível nas clínicas particulares, mas que o SUS pretende abrir as portas para os bebês nascidos de acordo com os protocolos.
OS AMHE e as DOENÇAS AUTOIMINES
Além dos AMH com especificidade direcionada à prevenção das infecções causadas pelo VSR, que indubitavelmente são mais frequentes nos primeiros dois anos, mas também podem, embora excepcionalmente, ocorrer em idade mais avançada, existem outros AMH com outras especificidades que objetivam proporcionar uma melhor qualidade de vida para os pacientes com certos tipos de câncer gástrico e de mama e para os portadores de algumas doenças inflamatórias crônicas autoimunes.
São a esperança como sendo uma das futuras armas terapêuticas e fica-se na expectativa para que desenvolvam AMH com especificidades para combater outras doenças, especialmente na esfera oncológica.
No tocante às doenças autoimunes:condição que o organismo inexplicavelmente produz anticorpos contra si mesmo e cujo indicador é a determinação sérica do FAN (Fator Antinúcleo), as mais comuns são a Artrite Reumatoide (AR), o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) ou Disseminado, a Tireoidite de Hashimoto (Hipotireoidismo) e como as maiores representantes na dermatologia e na gastroenterologia: a Psoríase e a Doença Celíaca (DC) com ressalvas, uma vez que há questionamentos quanto ao seu caráter ser essencialmente autoimune, o que já não ocorre com relação à Doença de Crohn.
Já entre as mais graves, destacam-se o LES, devido ao seu comprometimento multissistêmico (de vários órgãos) e a Miastenia Gravis cuja principal característica é a fadiga e a fraqueza muscular.
No entanto, os AMHE limitam-se aos tratamentos de algumas condições autoimunes.
Anos 2025, podem ser utilizados em monoterapia ou associados a imunossupressores nos tratamentos da artrite reumatoide grave, ativa e progressiva, do lúpus eritematoso sistêmico, da espondilite anquilosante (inflamação das vértebras, em que toda coluna vertebral se acha envolvida por invólucro ósseo – ossificação dos ligamentos espinhais), da dermatomiosite (erupção eritemato-escamosa associada à inflamação e atrofia muscular, com intenso dolorimento), do pênfigo vulgar, na Doença de Crohn e na colite/ retocolite ulcerativa.
São as futuras armas e fica-se na expectativa de outros AMH com especificidades que abranjam outras doenças, particularmente na esfera oncológica e que despontem experiências clínicas para serem administrados abaixo dos 10-12 anos de idade.
A justificativa da falta de experiências clínicas para serem administrados abaixo dos 10-12 anos de idade, talvez, se assenta no fato da maioria das doenças autoimunes se fazerem clinicamente mais evidentes a partir dessa idade.
As doenças autoimunes tendem a se manifestar durante os três primeiros anos de idade, porém, de forma sutil e a se apresentarem progressivamente mais evidentes clinicamente a partir dos 6 anos, entretanto, somente após os 10-12 anos (na adolescência) é que os sintomas geralmente se intensificam e quando, então, é que frequentemente aflora o diagnóstico e daí, muito provavelmente, a justificativa da falta de experiências clínicas com os AMHE abaixo dessa idade, mas não que estejam contraindicados. Fica a critério médico.
Assim, embora os sintomas possam eclodir mais precocemente, assim como evoluir com remissões e até quiescências prolongadas, os AMHE descortinam o cenário para a abordagem terapêutica em determinadas condições clínicas e com reservas nos pacientes com menos de 12 anos de idade, quando os sintomas persistem, devido a pouca responsividade ou intolerância aos efeitos adversos das medicações empregadas nos tratamentos convencionais com anti-inflamatórios esteroidais (corticosteroides) e não hormonais (salicilatos e afins), especialmente com os imunossupressores, no senso lato da função, como os derivados da azatioprina e do metotrexato, que ensejam grandes restrições frente aos efeitos colaterais, particularmente na população infantil.
Na pediatria, no âmbito da reumatologia, desponta a AR, seguida pelo LES que envolve uma abordagem terapêutica multiprofissional, não restrita à reumatologia, da mesma forma que, entre as doenças inflamatórias crônicas reversíveis (controláveis) do trato gastrintestinal, a Doença de Crohn é indubitavelmente a de manuseio mais difícil e prognóstico mais reservado, haja vista que, nos casos mais graves, pode afetar todo trato gastrintestinal, com ulcerações do esôfago ao ânus- com riscos estenosantes e de enterectomias e cuja terapêutica com relativa frequência envolve a administração de imunossupressores, tipo “azatioprina” (Imuran/GlaxoSmithKline), associados com AMHE tipo adalimumabe, infliximabe ou “certolizumabe”.
Os imunossupressores têm a função de cercear (diminuir ou suprimir) a atividade do sistema imunológico hiperativo, como ocorre nas doenças autoimunes, a exemplo da artrite reumatoide (AR) e do lúpus eritematoso sistêmico (LES), condição que o organismo inexplicavelmente produz anticorpos contra si mesmo, assim como inibir ou retardar a proliferação de células que se dividem rapidamente, como as células da medula óssea, nos casos de leucemia, e da pele, em se tratando de dermatoses crônicas recidivantes, em que ocorre produção de manchas descamativas, disseminadas, que caracterizam a psoríase ou a formação de bolhas na pele e mucosas, que assumem um aspecto semelhante à epidermólise bolhosa e configura o pênfigo ou, então, uma erupção eritemato-escamosa, com atrofia associada à miopatia, que tipifica a dermatomiosite.
No pertinente à DC, os sintomas tendem a surgir, em contraste com o surgimento dos sintomas das doenças imuno-mediadas, já a partir dos seis meses de idade, com a inclusão das proteínas, em especial da gliadina do glúten principalmente do trigo, aveia (menos), centeio e cevada, com quadros de diarreia recorrente ao consumir tais alimentos e, quando a dieta de exclusão é negligenciada, a desnutrição pode chegar aos extremos de estereotipar os pequenos com o abaulamento do abdome, achatamento das nádegas e afilamento das coxas e braços.
Contudo, fugindo às regras, os sintomas podem simular um quadro clínico de dolicomegacólon funcional, com fezes em cíbalos (semelhante às de cabrito) ou endurecidas e volumosas, descoradas e que flutuam na água do vaso sanitário, enfim: um quadro clínico dominado pela constipação crônica com consequente prolapso retal, muito eventualmente: com vômitos e dores abdominais que simulam uma obstrução intestinal.
Da mesma forma, em determinados casos que fogem à tipicidade, a suspeita da intoxicação pelo glúten, somente aflora após os dois anos, quando o pré-escolar exibe um prejuízo no estado nutricional, uma vez que a parada de crescimento e até um grau variável de desnutrição podem ser os únicos chamativos do distúrbio.
Quanto a abordagem terapêutica, ela inclui a presença de anticorpos das classes IgA e IgG antigliadina, endomísio e transglutaminase, a genotipagem (geralmente realizada em laboratório de referência) e a biópsia de mucosa de bulbo duodenal – padrão ouro – na qual, a presença de > de 30 linfócitos intraepitepiais/ 100 enterócitos, é um achado forte preditor da DC na fase inicial, antes de surgir as alterações histopatológicas características, que são a atrofia vilositária (mucosa careca) e a hiperplasia de criptas.
Os anticorpos da classe IgA antiendomísio e antitransglutaminase são de alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de DC, no entanto, a ausência de anticorpos da classe IgA, não é excludente de DC, uma vez que 10 % dos pacientes portadores da DC têm deficiência de IgA.
Resultados falso-negativos também podem ocorrer nos casos de dieta pobre em glúten (o ideal é realizar o exame na vigência de dieta com glúten durante dois meses) e nos primeiros dois anos de idade (podem apresentar somente anticorpos antiendomísio e antitransglutasminase da classe IgG).
Quanto a genotipagem, como cerca de 30 % da população normal possui anticorpos (alelos), a positividade, “em assintomáticos”, não constitui propriamente um prenúncio da doença, entretanto, como 98% dos celíacos são portadores dos alelos, a ausência desses marcadores é excludente da doença.
Interessante que por se tratar de uma intolerância (intoxicação ou alergia) ao glúten, reversível com sua restrição dietética e sem se fazer necessário do emprego de imunossupressores e muito menos de AMHE, alguns autores consideram a DC um distúrbio não propriamente de natureza autoimune, apesar da determinação de anticorpos específicos contra suas proteínas, mas como sendo de origem genética e daí a genotipagem.
Adiciona-se a esse imbróglio interpretativo, o fato da intolerância ao glúten, quando diagnosticada antes dos 18 meses de idade, ser considerada transitória por alguns autores e daí o questionamento de onde fica o caráter autoimune e mesmo a genética: o porquê de o sistema imunológico permanecer indiferente (deixar de ser hiperativo) à provocação do glúten?
Nesses casos, após 2 anos de dieta e a criança estando assintomática, com desenvolvimento nutritivo compatível com a normalidade e a biópsia da mucosa não revelar os achados anatomopatológicos da DC, libera-se o glúten por 2 meses e, a criança permanecendo sem problemas (assintomática), procede-se novo exame endoscópico e caso permaneça sem as lesões, libera-se a dieta por mais 2 anos e nos moldes operandi evolutivo, caso a nova endoscopia for normal, a criança é dada como curada.
Outra diferença, no que condiz às doenças autoimunes, é que parece haver uma nítida associação, ao menos existem fortes indícios de o organismo- do sistema imunológco que é constituído pelo baço, timo, linfonodo e, sobretudo, pela medula óssea– produzir anticorpos com ação antagônica (contra si próprio), mas quando sob estímulo antigênico (provocação/ agressão) causado com a administração de vacinas ou após alguma infecção viral e não é o caso da DC, que é atribuída ao glúten.
O organismo produz anticorpos contra si mesmo quando sob agressão e enquanto perdurar esse estímulo e, daí, as quiescências e as recrudescências variáveis de acordo com a epigenética de cada paciente.
São exemplos que fortalecem a possibilidade dessa correlação, todavia, com as devidas ressalvas na devida caracterização do caráter autoimune: a Polirradiculoneurite (Síndrome de Guillain-Barré) que foi associada recentemente à vacina contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), a Panvasculite manifesta durante a pandemia da Covid-19, que mimetizou a Síndrome de Kawasaki.
Ambas doenças são de etiologia presumivelmente autoimunes, com produção de anticorpos contra o Sistema Nervoso Periférico e contra o Sistema Vascular, em tratamentos que não há indicação de AMHE (ainda não se dispõem de anticorpos monoclonais específicos para tais) ou de imunossupressores no senso lato da função, com ressalvas aos corticoides sistêmicos em casos discutíveis, pois, além da sua real eficácia ser questionável, pesam os riscos de seus efeitos colaterais, particularmente nos tratamentos prolongados com doses que ultrapassam a razoabilidade.
Na Síndrome de Kawasaki, ocorre uma panvasculite (inflamação de vasos sanguíneos) acompanhada de outras manifestações agudas inflamatórias (artrite, uretrite, cardite…) inclusive cutânea que lembra à da escarlatina, porém, com fortes indícios autoimune-viral.
Entretanto, essas manifestações são precedidas por um período prolongado com 7 dias ou mais de febre elevada, dificultando o diagnóstico precoce e que se institua o tratamento com gamaglobulina humana endovenosa e ácido acetilsalicílico durante a fase pirética, o que pode evitar as complicações, em especial, as cardíacas (miocardite, pericardite, ICC, aneurisma coronariano e até infarto do miocárdio).
*Interessante que, em cerca de 80% dos casos, o distúrbio, fugindo às regras das doenças autoimunes, acomete crianças com menos de 5 anos de idade, no entanto, do sexo masculino e orientais, o que deixa entrever um componente genético associado ao binômio vírus-autoimune.
Quanto à Síndrome de Guillain-Barré, o organismo produz anticorpos contra a membrana/ camada que envolve as fibras nervosas (mielina), causando uma mielite na cadeia do Sistema Nervoso Periférico (polirradiculoneurite periférica), ou seja, uma inflamação das raízes dos nervos que comunicam os tecidos e órgãos com o Sistema Nervoso Central que é constituído pelo encéfalo, medula óssea e órgãos acessórios.
A síndrome está intimamente relacionada com alguma interação viral, haja vista que o início da doença, geralmente, é precedido de alguns dias por uma infecção viral, mas também já foi aventada a possibilidade de surgir após a aplicação de imunizantes. Anos 2025, com as vacinas contra o VSR.
Com relação aos imunobiológicos: existem as vacinas com vírus atenuados, a exemplo da Sabin, contra a paralisia infantil (antipoliomielite) e da tetra viral, preventiva do sarampo, caxumba, rubéola e da varicela (catapora) e as vacinas constituídas por vírus inativados, a exemplo da influenza (contra a gripe) e da DPT (tríplice bacteriana: preventiva da difteria, pertussis (coqueluche/ tosse comprida) e do tétano).
As vacinas atenuadas, ao contrário das inativadas, podem causar sintomas leves (atenuados) das doenças à que se destinam prevenir.
A vacina VSR, por ser inativada, não deve causar os sintomas das bronquiolites, nem, ao menos academicamente, qualquer outra reação adversa, salvo um dolorimento no local da aplicação, no entanto, causa estranheza, em se tratar de mera coincidência, a instalação de um quadro clínico, relacionado com a vacina VSR, com sintomas que mimetizam a polirradiculoneurite periférica da Síndrome de Guillain-Barré.
Os primeiros sintomas que chamam a atenção são as dores ou as câimbras, frequentemente, acompanhadas por sensações parestésicas do tipo formigamento ou peso nas pernas, para, então, logo após algumas horas se instalar a fraqueza muscular progressiva (parestesia e paralisia).
A redução (paresia) ou a perda (paralisia) de motricidade por mecanismo neuromuscular é variável, mas tende a ser progressiva, com comprometimento muscular simétrico e ascendente (dos MMII aos MMSS), podendo atingir o diafragma e causar parada respiratória, que é o grande receio.
O diagnóstico é confirmado via punção do líquido cefalorraquiano (líquor), que revela uma dissociação albumina-citológica, ou seja, uma pleocitose linfomonocitária próxima do normal, com uma hiperproteinorraquia bem acentuada.
Entretanto, esse achado, frequentemente, se faz presente, somente, após transcorridos 10 até 15 dias da evolução dos sintomas que despertam a suspeita clínica, o que pode retardar a confirmação diagnóstica.
Nesses eventos, frente a severidade do quadro clínico e das perspectivas evolutivas, impõem-se a internação sob cuidados intensivos, com aporte fisioterápico e, uma vez firmado o diagnóstico, alguns autores recomendam, embora a eficácia não tenha sido efetivamente comprovada, a administração de corticoides.
A evolução, obviamente depende do grau da paralisia e das complicações principalmente à nível respiratório, mas, em especial nas crianças, costuma ser satisfatória, com melhora progressiva e restabelecimento da normalidade transcorridos de um até no máximo dois meses, eventualmente, guardando como sequela apenas uma abolição mais prolongada dos reflexos profundos.
Ambos exemplos, são de doenças presumivelmente autoimunes, em que há uma interação viral e um curso com potencial de gravidade considerável e cujos tratamentos não se institui AMHE ou imunossupressores.
Na realidade, conforme já enfatizado, mas valendo ser repetitivo, os AMHE objetivam proporcionar uma melhor qualidade de vida para os pacientes com um determinado tipo de câncer gástrico ou de mama ou com determinadas doenças inflamatórias crônicas autoimunes.
Fica-se na expectativa de desenvolverem AMH com especificidades que abranjam outras doenças, em especial, na esfera oncológica.
No momento, podem ser utilizados em monoterapia ou associados com imunossupressores para o tratamento da artrite reumatoide grave, ativa e progressiva, do lúpus eritematoso sistêmico, da espondilite anquilosante, artrite psoríase, da dermatomiosite, do pênfigo vulgar, na Doença de Crohn e na colite/ retocolite ulcerativa.
*Importante o uso concomitante de nutrientes chave, como as vitaminas oxidantes, com ação anti-inflamatória intestinal, moduladora da microbiota (A, E, C, e D em especial), além dos minerais zinco, selênio e ômega-3 e de ácido fólico nas administrações com imunossupressores.
O ideal é manter os níveis de 25 hidroxi-vitamina D entre 30 a 60 ng/dl.
DESCORTINANDO O CENÁRIO PARA ALGUNS AMHE
Devido o preço dos medicamentos de alto custo, os pacientes podem encontrar resistência do Sistema Único de Saúde (SUS) e, no particular, dos Planos de Saúde e terem dificuldades em arcar com os custos, sobretudo, para dar continuidade aos tratamentos das doenças inflamatórias crônicas autoimunes.
Recorrer a uma liminar impetrada por um advogado especialista em Saúde, pode agilizar o processo, mas tem seu ônus advocatício.
AMHE contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
As duas vacinas existentes contra o VSR são a Arexvy da GSK (subgrupo B): para idosos e a Abrysvo da Pfizer (A e B recombinantes) para pessoas com idade superior aos 18 anos, inclusive para gestantes e, daí, estar disponibilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde), para ser aplicada, AO MENOS, ANTES DOS 14 DIAS DO PARTO.
Caso contrário, ponderar o emprego de anticorpo monoclonal, para os bebês prematuros ou de alto risco, portadores de cárdio ou pneumopatia.
Pois então, final de 2025, coincidentemente, existem 2 AMHE para serem administrados nos lactentes e dar cobertura nas duas temporadas de cinco meses anuais, que se correm maiores riscos de contrair as pneumopatias causadas pelos VSR, ambos para aplicação IM (no músculo anterolateral da coxa).
A saber: o SYNAGIS/ PALIVIZUMABE (da ABBVI FARMACÊUTICA) e o BEYFORTUS/ NIVERSIMABE (da SANOFI/MEDLEY).
A SYNAGIS: contém anticorpos monoclonais específicos contra a glicoproteína do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), prontos para uso, enquanto os anticorpos de imunoglobulina humana da BEYFORTUS são produzidos em células de hamster chinês.
A eficácia (duração da ação) da Synagis é de cerca de 30 dias e a da Beyfortus de aproximadamente 5 meses, portanto, o esquema de proteção exige uma aplicação mensal, por temporada de 5 meses, com a synagis (5 aplicações) – disponibilizada pelo SUS, contra apenas uma única aplicação da Beyfortus – à nível particular- mas que o Sus pretende abrir as portas
OS AMHE EM FOCO DE 2025
*ADALIMUMABE é um anticorpo monoclonal recombinante, obtido da imunoglobulina humana.
Age, pois, como imunomodulador e se enquadra na categoria imunossupressor, bloqueando uma proteína específica, que está presente em altos níveis nas doenças inflamatórias autoimunes (crônicas) envolvendo as articulações, pele e intestino e, daí, estar indicado para os tratamentos, via subcutânea, da artrite reumatoide, grave, ativa e progressiva, da artrite psoriásica, espondilite anquilosante, psoríase, da Doença de Crohn e da retocolite ulcerativa e daí ser um dos medicamentos de alto custo mais prescrito (R$ 23 até 25.000,00), conhecido com nome comercial de Humira/Abbott, medicamento biológico encontrado em forma de caneta, seringa ou frasco-ampola.
Biossimilares (medicamentos semelhantes ao princípio ativo) de adalimumabe (Humira): Amjevita, Cyltezo, Hadlima, Hulio, Idacio e outros.
Apresentação com ampolas contendo 20 mg/0,2 ml.
Dose para artrite reumatoide: 40 mg SC a cada 14 dias (0,4 ml).
Eventualmente: 40 mg a cada 7 dias ou 80 mg a cada 14 dias.
As experiências clínicas assinalam uma evolução à contento, na maioria dos casos, dentro de 12 semanas de tratamento (uma média de 12 aplicações).
O tratamento com outro antirreumáticos, como metotrexato/ azatioprina (Imuran/GSK) e anti-inflamatórios não esteroidais (salicilatos), podem ser mantidos.
*INFLIXIMABE (nome comercial de Remicade/ Janssen Cilag, Rensima)
Semelhante ao adalimumabe e conforme norma geral: para pacientes com mais de 12 anos, porém, para uso endovenoso exclusivo.
Indicado, pois, para reduzir os sinais e sintomas das doenças imuno-mediadas, em especial para Crohn e Colite Aguda Grave, embora o CERTOLIZUMABE seja o anticorpo monoclonal humanizado de primeira linha.
A dose padrão para psoríase é de 5mg/Kg/ EV– correr em 2 horas, a cada 8 semanas em um centro médico.
Frasco com 100 mg (pó diluente) / 10 ml de água estéril (10 mg/ml)
Importante o uso concomitante de nutrientes chave, como as vitaminas oxidantes, com ação anti-inflamatória intestinal, moduladora da microbiota intestinal (A, E, C e D especialmente), além dos minerais zinco, selênio e ômega-3.
*CERTOLIZUMABE (Cinzia/AstraZeneca 200 mg/ml)
Imunossupressor da linha da adalimumabe e do infliximabe, indicado para o tratamento das doenças autoimunes, em especial para a Doença de Crohn refratária aos tratamentos com salicilatos associados aos corticosteroides ou quando recorrem frequentemente com a suspensão dessas medicações.
Duas injeções de 200 mg (R$ 3.700.00) no ato, após 2 e 4 semanas. Após essa etapa, faz-se a manutenção com duas injeções (400 mg) a cada 2 semanas ou a cada 4 semanas.
*Doença de “Crohn” / AR/ Espondilite: 400 mg a cada 4 semanas.
*Para Artrite psoríase: 400 mg a cada 2 semanas.
Via de administração: subcutânea no abdômen ou nas coxas, alternando o local de aplicação a cada nova injeção.
Surte efeito em 1 a 2 semanas, eventualmente transcorridas 6 a 12 semanas- efetividade máxima após 4 meses, excepcionalmente até um ano.
*TRANSTUMABE (Herceptin, kanyinti: uma ampôla custa em média R$ 2.600.00).
É um anticorpo monoclonal que pode estimular o sistema imunológico, entretanto, como seu princípio objetivo é bloquear os receptores das proteínas (detectadas pela biópsia do tumor) que promovem o crescimento e a proliferação das células cancerígenas (principalmente do câncer de mama e gástrico) e não ativar o sistema imunológico, não é considerado imunoterapia, mas sim uma terapia-alvo, o que não deixa de ser um contra senso.
Na realidade, é um neoadjuvante e, diferentemente da quimioterapia convencional, pode não causar queda de cabelo, como ocorre com a quimioterapia convencional e, dependendo das outras medicações adjuvantes, pode não emagrecer e até engordar.
O tratamento, via subcutânea ou intravenosa, dura em média um ano e as chances de cura, quando o câncer de mama é diagnosticado num estágio inicial, pode chegar a 95%.
Pode ser empregado em monoterapia ou em associação a imunossupressores, anti-inflamatórios esteroidais e não hormonais ou com cirurgia, quimioterapia, radioterapia.
*RITUXIMABE (Rituxan/ Mabthera) é outro medicamento biológico classificado como anticorpo monoclonal, considerado um tipo de imunoterapia, que atua nas células cancerígenas, mas também nas células normais, destruindo os linfócitos B, o que reduz a resposta imunológica do organismo e faz com que seja considerado também um imunossupressor, característica que, embora tenha indicação especial para o tratamento de linfoma não Hodgkin e leucemia linfóide crônica, o torna eficaz em certas condições relacionadas ao comprometimento do sistema imunológico, como no tratamento de doenças autoimunes.
IMUNOSSUPRESSORES
*AZATIOPRINA: conhecida com os nomes comerciais de Imuran/ GlaxoSmithKline (GSK), Azapress.
Pertence a um grupo de medicamentos chamados de imunossupressores, que diminuem ou suprimem a atividade do sistema imunológico hiperativo (inibem as células sanguíneas que provocam inflamação), quando o organismo produz anticorpos contra si mesmo, SOB EVENTUAL AGRESSÃO (ESTÍMULO,) como ocorre nas doenças autoimunes, com destaque, no âmbito da pediatria/hebiatria, à artrite reumatoide (AR) e ao LES (lupus eritematoso sistêmico) e a Doença de Cronh, como as maiores representantes das colagenoses e das gastroenteropatias.
Embora deixem o organismo mais suscetível às infecções, são úteis para os tratamentos de doenças autoimunes, em especial as da acima citadas, mas também e geralmente em associação com um AMH, nos casos das dermatites refratárias aos tratamentos convencionais como o da dermatomiosite e do pênfigo vulgar.
Apresentação em comprimidos de 50 mg, para ser administrado uma ou duas vezes ao dia, durante as refeições, para amenizar os sintomas, nos casos de enjoos ou desconforto abdominal, mas de preferência em jejum de pelo menos 30 minutos ou em regime de jejum: uma hora antes ou 2-3 horas após as refeições ou da ingestão de leite.
Deve ser utilizado por pelo menos 60 dias, para avaliar sua efetividade, embora em se tratando de certos processos inflamatórios (AR, Crohn), a resposta clínica pode levar até 12 semanas e até vários meses nos casos das dermatites.
Está associado a um maior risco para desenvolver linfoma não Hodgkin e câncer de pele, o que exige cuidados para evitar a exposição solar. Aliás, esses cuidados são devidos quando se administra qualquer imunossupressor.
*METROTEXATO (MTX)
É um potente imunossupressor que retarda ou inibe a proliferação de células que se dividem rapidamente, como são as células da epiderme e da medula óssea e, portanto, é considerado um tipo de quimioterápico, utilizado em indicações oncológicas, mas especialmente em doenças autoimunes, tais como artrite reumatoide e psoríase.
Inclusive, foi a primeira droga sistêmica efetiva para tratamento da psoríase aprovada em 1972 pelo FDA (Food and Drog Administration).
Devido sua eficácia, baixo custo, facilidade de aquisição e comodismo posológico, é o antirreumático mais utilizado por via oral (não pelas vias EV, IM ou intratecal), o que se subentende: para doenças autoimunes de baixa complexidade terapêutica e propicia sua administração inclusive de forma indiscriminada, correndo-se riscos de comprometer a função renal, particularmente nos idosos em que já ocorre uma depleção natural da idade.
A posologia e o esquema de manutenção do tratamento dependem do tipo de manifestação e da idade do paciente, entretanto, para reduzir os riscos de toxicidade aguda, aconselha-se uma “dose semanal” de 7,5 até no máximo de 25 mg (3 a 8 comprimidos).
Os efeitos mais comuns, extensivos a todos ou imunossupressores, são gastrointestinais (cólica, diarreia, vômitos, anorexia), relacionados à hepatotoxicidade (elevação das enzimas, principalmente das transaminases), medulares (mielotoxicidade): pancitopenia (a leucopenia é mais comum e/ou anemia e/ou plaquetopenia) e cutâneos (lesões e até necrose).
O emprego de ácido fólico, inclusive nos dias em que o MTX não é empregado, reduz os riscos desses efeitos, inclusive de anemia megaloblástica e o de sulfametoxazol/ trimetropin, por inibir a mesma enzima do MTX (diidrofolato redutase), necessária para síntese de nucleotídeos e de aminoácidos, as chances são aditivadas, o mesmo ocorrendo quando se administra concomitantemente anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), inclusive ácido acetilsalicílico e inibidores da bomba de prótons (prazóis), os quais promovem uma redução da depuração do MTX e eleva seus níveis plasmáticos, aumentando sua meia-vida e consequentemente os riscos de efeitos adversos sistêmicos.
Isso, aliás, é denominador comum nos tratamentos que envolvem o emprego de imunossupressores, assim como se deve evitar a administração de vacinas vivas e engravidar somente após 3 meses da descontinuidade dos tratamentos.
A maior polêmica está no amamentar, uma vez que esses fármacos são detectados no leita materno. Suspender o tratamento ou a amamentação materna?
*PULMOZYME (Roche): nome comercial da darnose alfa, uma das nossas enzimas orgânicas que é produzida pela engenharia genética e tem a função de reduzir a viscosidade da secreção pulmonar (do muco espesso e viscoso), melhorando a ventilação pulmonar, em pacientes com Mucoviscidose (Fibrose Cística).
Usado por via inalatória, para pacientes com mais de 5anos: uma ampola de 2,5 mg, uma vez ao dia (caixas com 6 ampolas).
UM TRIBUTO AOS CORTICOIDES (ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS)
Esses imunossupressores, mais especificamente os derivados da metilprednisolona, são empregados, sob pulsoterapia, em colagenoses cujas evoluções não cursam de maneira razoável, como pode ocorrer, principalmente em se tratando do LES, devido seu caráter de comprometimento sistêmico.
São administrados como ferramenta subsidiária, na posologia de 30 mg/Kg (< 1000 mg), diluído em 200 ml de soro glicosado a 5%, para correr em duas horas, com controles, especialmente de PA e da glicemia (com uma gota de sangue aplicada na tira reagente do glicosímetro), a cada 30 minutos, durante 3 dias consecutivos e assim avaliar a resposta clínica, para dar continuidade à corticoterapia por via oral.
*METROTEXATO (MTX)
É um potente imunossupressor que retarda ou inibe a proliferação de células que se dividem rapidamente, como são as células da epiderme e da medula óssea e, portanto, é considerado um tipo de quimioterápico, utilizado em indicações oncológicas, mas especialmente em doenças autoimunes, tais como artrite reumatoide e psoríase.
Inclusive, foi a primeira droga sistêmica efetiva para tratamento da psoríase aprovada em 1972 pelo FDA (Food and Drog Administration).
Devido sua eficácia, baixo custo, facilidade de aquisição e comodismo posológico, é o antirreumático mais utilizado por via oral (não pelas vias EV, IM ou intratecal), portanto, para doenças autoimunes de baixa complexidade terapêutica, inclusive de forma indiscriminada, o que pode comprometer a função renal, particularmente nos idosos em que há uma depleção natural da idade e aumentar os riscos de toxicidade.
Os efeitos mais comuns, extensivos a todos ou imunossupressores, são gastrointestinais (cólica, diarreia, vômitos, anorexia), relacionados à hepatotoxicidade (elevação das enzimas, principalmente das transaminases), medulares (mielotoxicidade): pancitopenia (a leucopenia é mais comum e/ou anemia e/ou plaquetopenia) e cutâneos (lesões e até necrose).
O emprego de ácido fólico, inclusive nos dias em que o MTX não é empregado, reduz os riscos desses efeitos, inclusive de anemia megaloblástica e o de sulfametoxazol/ trimetropin, por inibir a mesma enzima do MTX (diidrofolato redutase), necessária para síntese de nucleotídeos e de aminoácidos, as chances são aditivadas, o mesmo ocorrendo quando se administra concomitantemente anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), inclusive ácido acetilsalicílico e inibidores da bomba de prótons (prazóis), os quais promovem uma redução da depuração do MTX e eleva seus níveis plasmáticos, aumentando sua meia-vida e consequentemente os riscos de efeitos adversos sistêmicos.
Isso, aliás, é denominador comum nos tratamentos que envolvem o emprego de imunossupressores, assim como se deve evitar a administração de vacinas vivas e engravidar somente após 3 meses da descontinuidade dos tratamentos.
A maior polêmica está no amamentar, uma vez que esses fármacos são detectados no leita materno. Suspender o tratamento ou a amamentação materna?
A posologia e o esquema de manutenção do tratamento dependem do tipo de manifestação e da idade do paciente, entretanto, para reduzir os riscos de toxicidade aguda, aconselha-se uma dose semanal de 7,5 a 25 mg (3 a 8 comprimidos)